O bebé e a mamã


por Mónica Rodrigues (mãe e conselheira de dermocosmética) e Dra Catarina Afonso (mãe e directora técnica da Farmácia Rosa)

Mamã FelizO nascimento de um bebé é sempre um momento muito ansiado para todos aqueles que lhe querem dar as boas-vindas. Apesar disso, as primeiras visitas deverão respeitar o espaço da mãe, que acabou de passar por um momento maravilhoso mas também de várias mudanças tanto a nível psicológico como físico, como o espaço do bebé que nesta altura é bastante sensível aos sons, cheiros e a tudo o que o rodeia. Por tudo isto, os visitantes devem ter alguns cuidados, nomeadamente:

– As visitas em casa deverão ser 2 a 3 semanas após o nascimento, para que desta forma a família se possa organizar e adaptar calmamente às novas rotinas.

– Marcar atempadamente a visita com os pais e esta deve ser curta, pois nesta fase os pais estão cansados e as sestas dos bebés são as alturas em que poderão descansar ou organizar os seus afazeres.

– Lavar sempre as mãos antes de tocar no bebé e não beijar as suas mãos nem o seu rosto, pois o seu sistema imunitário ainda está em desenvolvimento.

– Adiar a visita se estiver doente.

– Apenas deve dar conselhos se os mesmos lhe forem pedidos, não se deve comportar como se o filho fosse seu.

– Não tirar fotografias com flash nem publicá-las nas redes sociais sem autorização dos pais.

– Oferecer a sua ajuda para algumas tarefas que os pais possam precisar.

– Mimar também a mãe, que por vezes fica esquecida.

Apesar de estar enraizado na nossa sociedade o conceito de que a gravidez e o nascimento de um filho são períodos de enorme alegria para a mulher, nem sempre é assim. Algumas mães vivenciam nesta fase alguma tristeza. O nascimento de um bebé é um evento significativo, que modifica permanentemente o estatuto e responsabilidade da mulher, o que faz com que este período seja de grande vulnerabilidade e facilitador de instabilidade mental. Por tudo isto pode surgir alguma perturbação emocional no pós-parto, onde se podem incluir a Melancolia da Maternidade e a Depressão Pós-Parto (DPP).

A Melancolia é experienciada por 70 a 80% das puérperas. Normalmente surge poucos dias após o parto e desaparece duas semanas depois. As causas podem estar relacionadas com o desequilíbrio hormonal e o esgotamento físico provocado pelo parto e pelos cuidados permanentes de que o bebé necessita. É um transtorno transitório do humor, marcado por sentimentos de insegurança e incapacidade em cuidar do bebé, choro, cansaço, irritabilidade e ansiedade. Neste caso a mulher deve procurar o apoio familiar, desabafar e, acima de tudo, descansar o máximo possível.

Quando a sintomatologia depressiva permanece, ou tem início duas a oito semanas após o parto ou durante o 1º ano, podemos estar perante um quadro de DPP. A DPP afeta 10 a 20% das mães e pode durar até 2 anos. Fatores biológicos, psicológicos e emocionais podem estar na origem e os sintomas mais comuns são: humor depressivo com profunda tristeza, sentimentos de vazio, fadiga, irritabilidade, distúrbios do sono, pensamentos obsessivos (por exemplo em magoar o bebé) e sentimento e ideias suicidas. Nesta situação a mulher deverá procurar um médico de modo a receber o tratamento adequado, que pode passar por medicação, acompanhamento psicológico, psicoterapia, entre outros. Para além dos efeitos devastadores na mãe, a DPP não tratada afeta toda a família e pode afetar gravemente a saúde e desenvolvimento da criança.

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