Interacção entre álcool e medicamentos


Por Dra Vanessa Azevedo – Farmacêutica Farmácia Rosa

Muitas vezes surge a dúvida: “Será que posso beber álcool enquanto tomo este medicamento?”.

Interação entre álcool e medicamentos

Sabe-se que o consumo de álcool pode comportar o risco de sérias consequências médicas, sendo um exemplo disso a interacção com alguns fármacos. Apesar de nem sempre serem incompatíveis, são muitos os medicamentos que interagem com o álcool, daí que pelo sim pelo não, o melhor é não arriscar.

A interação pode ter como consequência o aumento ou diminuição do efeito do fármaco no organismo, podendo também originar efeitos secundários e adversos, como a ocorrência de sonolência, dor de cabeça, vómitos, hemorragias e dificuldades respiratórias, por exemplo.

Para além da variação do efeito terapêutico, tanto o consumo crónico de álcool como o ocasional pode, também, alterar os medicamentos, dando origem a produtos tóxicos para o organismo, que podem ser prejudiciais para órgãos como o fígado, o estômago e o cérebro.

Seguem-se alguns tipos de interações mais comuns, que podem ocorrer entre fármacos e as bebidas alcoólicas:

Antibióticos – Perdem o efeito, não combatendo a infeção. Como efeito secundário pode ocorrer dor de cabeça, vómitos e em casos mais graves até convulsões.

Anticoagulantes – Aumento do risco de hemorragia no estômago.

Anti-histamínicos – Vertigens e aumento o efeito sedativo, comum a alguns destes medicamentos.

Antidepressivos – Aumento da sonolência, disfunção psicomotora e perda de memória.

Benzodiazepinas – O álcool inibe o metabolismo destes medicamentos, aumentando a sua concentração e potenciando os seus efeitos.

Analgésicos – Aumento do risco de doença hepática e perturbações gastrointestinais

Anti-inflamatórios não esteroides – A combinação com álcool potencia o risco de hemorragias gastrointestinais.

É preciso ter em conta que estas interações não são lineares, pois variam consoante determinados fatores – a idade, o sexo, fatores genéticos, e também conforme a natureza variável do consumo, que pode ir do consumo ocasional ao abuso do álcool. No caso do género, existem diferenças significativas pois o organismo feminino apresenta menores níveis das enzimas responsáveis pela metabolização do álcool e, por isso, este permanece no corpo por mais tempo. Assim, as mulheres são mais sensíveis aos efeitos do álcool do que os homens, principalmente devido a aspetos fisiológicos.

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